Um surto Ato: Alucinação ou Iluminação?



          Peguei meus aforismos e fiz uma escultura usando as paginas de livros antigos, água e cola, algo para anunciar tais surtos. A coisa ficou tão torpe e grotesca que a santifiquei.
           No seu santuário não havia velas, apenas chamas, sobre os  cincerros, que nunca antes foram usados, chamas que dançavam no ritmo dos mantras, mantras esses que eram apenas letras, um conjunto de palavras, logo um texto, coisa que escrevi há tempos atrás, dois anos, talvez três.
            O ritual se cumpria todos os dias, duas vezes ao dia, uma pela manhã e outra noite.
            Dois meses depois, já me sentia diferente, mais leve, não, apenas mais distinto. Isso é bom, então algo que talvez seja o que muitos chamam de fé brotou em mim.
            Certa manhã, me peguei pedindo a benção à aquela coisa e naquela noite eu fiquei ressalvando suas formas tortas, abrandei as luzes e só as chamas impediram total escuridão, agora são as sombras que dançavam na escultura, moldando e remodelando meus pensamentos materializados, cantei os mantras e fui dormir em busca de bons sonhos.
            Na manhã seguinte uma dose de lucidez pairou sobre minha cabeça e me perguntei o porquê disso.
Foi que eu percebi.
Adiei fogo a escultura e cantando pela ultima vez os mantras, vi ela se romper em cinzas sobre a mesa que outrora era seu santuário.

sábado, 12 de maio de 2012 às 20:43

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